A ecocardiografia tridimensional (3D) oferece capacidades avançadas de visualização e avaliação cruciais para o diagnóstico e planeamento de diversas intervenções cardíacas.

Para a válvula mitral, a ecocardiografia 3D proporciona uma vista detalhada, semelhante à obtida em cirurgia, dos folhetos anterior e posterior e dos seus scallops. Isso permite uma identificação precisa das áreas problemáticas antes da cirurgia, permitindo aos cirurgiões desenvolver uma estratégia processual clara. Além disso, avalia com precisão a adequação do paciente para os procedimentos de reparação transcateter da válvula mitral (MitraClip), que são realizados por via inguinal. A utilidade desta tecnologia estende-se também à avaliação das válvulas tricúspide e pulmonar.

Em casos de defeitos cardíacos congênitos (por exemplo, defeitos septais), a ecocardiografia 2D pode não capturar completamente a forma complexa do defeito, o que poderia levar a uma seleção inadequada do dispositivo de fechamento. A ecocardiografia 3D, no entanto, visualiza e mede com precisão esses defeitos, incluindo os seus eixos longo e curto, garantindo a seleção do dispositivo de fechamento mais apropriado para a implantação transcateter.

Outra aplicação significativa é no procedimento de implantação transcateter de válvula aórtica (TAVI). Para pacientes com função renal comprometida, a tomografia computadorizada (TC) com contraste, tipicamente utilizada para o planeamento pré-procedural, pode ser contraindicada. Nesses cenários, a ecocardiografia 3D oferece uma alternativa valiosa para uma avaliação e medição detalhadas. Embora esta aplicação específica exija experiência e formação especializadas para além da prática cardiológica rotineira, os seus benefícios clínicos são substanciais. Permite que pacientes com insuficiência renal sejam submetidos ao planeamento TAVI sem exposição a agentes de contraste. Medidas precisas de eco 3D nestes casos são críticas para uma seleção ótima da válvula e para minimizar as complicações peri-procedurais.